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Quando se tomam 5 ou mais medicamentos está-se polimedicado. A polimedicação acarreta riscos acrescidos para o próprio e também para o meio ambiente e, por isso, necessita de uma vigilância maior.

O programa MAISCINCO é um meio de assegurar essa vigilância, com um site na Internet que disponibiliza informação, com uma linha telefónica de apoio e com Consultas Verdes. Nestas consultas, efectuam-se revisões terapêuticas gerais que analisam, em conjunto, os medicamentos, produtos da medicina complementar e suplementos naturais que estão a ser tomados, para racionalizar a medicação.

As consultas verdes podem ser obtidas nas clínicas que aderiram ao nosso programa e contam com o apoio permanente de farmacêuticos.

Para obter os melhores resultados, trabalhamos em parceria com os doentes, dando-lhes toda a informação necessária e envolvendo-os no processo de decisão. A mnemónica DDD ajuda a abordar o problema da polimedicação. Medicamentos que estão DUPLICADOS devem ser eliminados, medicamentos DISPENSÁVEIS devem ser reconsiderados e prescrições que estão DIFICULTADAS devem ser simplificadas, por exemplo reduzindo o número de tomas. 

No programa MAISCINCO, colaboram médicos e farmacêuticos em conjunto, para dar mais qualidade à vida e defender o meio ambiente. Por isso, chamamos às nossas consultas de revisão terapêutica geral, consultas verdes.

O doente informado está mais bem medicado!


Saiba mais sobre o programa:

A polimedicação, definida como a toma de cinco ou mais medicamentos em simultâneo, é um problema grave na maior parte dos países da OCDE. Um estudo recente do Dr. Michael Stern*, do New York Presbyterian Hospital/Weill Cornell Medical Center, chamou a atenção para o facto da média dos seniores nos EUA tomarem 6,6 medicamentos (4,5 prescritos e 2,1 de venda livre) e identificou esta circunstância como a causa directa de 28% de todos os internamentos nesse país. Segundo o estudo de Michael Stern, se a polimedicação fosse considerada uma causa de morte seria a quinta causa de morte nos EUA.

Acresce a esta situação o facto das moléculas dos fármacos passarem, depois de eliminadas pelo organismo, para o meio ambiente aonde contaminam as águas podendo sofrer um processo de concentração em órgãos de animais que sirvam de base à alimentação humana e que chegam ao consumo em concentrações biologicamente activas.

O assunto merece portanto interesse. Em 2008 a Faculdade de farmácia da Universidade de Lisboa concluiu um estudo intitulado “Investigação e Intervenção Farmacêutica”. Na introdução a esse estudo, que mereceu significativo destaque na comunicação social, afirma-se que os seniores, em Portugal, tomam cerca de sete medicamentos por dia e que foram detectados casos de doentes a tomarem dezassete medicamentos por dia.

Neste momento não se conhece o número de internamentos, em Portugal, provocado por consequências adversas da polimedicação, mas, atendendo a que o consumo é sobreponível ao norte-americano, serão de esperar consequências idênticas.

Muitos fenómenos contribuíram nos últimos anos para agravar a polimedicação. Destacamos alguns:

01. O ênfase dado às consultas médicas da especialidade em detrimento da medicina geral e familiar, determinando falta de coordenação da prescrição médica.

02. O desenvolvimento do sector de medicamentos não sujeitos a receita médica (MNSRM), livremente adquiridos pelos doentes e que interagem com a restante medicação.

03.
O aparecimento dos medicamentos genéricos, com dezenas de nomes comerciais, suscitando confusão e a ocorrência de tomas duplicadas.

04.
Por fim as medicinas alternativas com os produtos fitoterápicos a interagirem com as restantes moléculas que os doentes tomam de forma a agravarem a situação.

A CORRIDA CONSULTING propõe-se contribuir para minorar este problema através de consultas médicas, com apoio de consultores farmacêuticos, para revisões terapêuticas gerais. Chamamos a estas consultas: Consultas Verdes, pela sua relevância para o meio ambiente, para além do benefício que trazem para os doentes.

O programa MAISCINCO engloba ainda a linha telefónica de apoio e as Consultas Verdes.

Aumentando a vigilância sobre os doentes polimedicados todos podem beneficiar. Desde logo os doentes, mas também os prestadores de cuidados de saúde e os financiadores.

Num estudo efectuado nos EUA**, estimou-se que os gastos com o tratamento das reacções adversas aos medicamentos eram superiores a todo o montante que se gasta com medicamentos. Quaisquer poupanças que possam advir deste programa são indispensáveis para fazer face à introdução de novas terapias que ultimamente têm estado tão dificultadas pelos constrangimentos orçamentais de todos conhecidos.

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Michael Stern: Emergency Medicine 2007

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American Society of Consultant Pharmacysts: Estudo de 2007, gastos com complicações dos medicamentos ultrapassam os 200 biliões de US$.